Então, é Natal

Então? É Natal! E daí?A rigor, uma noite e dia como tantos outros, para o qual muitas pessoas se preparam chegando no ápice da exaustão: presentes, cardápio, decoração, cartões, fotos de família…Mas, afinal, o que estão celebrando? Na semana que antecede o Natal recebi muitos desejos de “Feliz Natal” disparados tão automaticamente como aqueles “Bom dia, tudo bem?” que nem esperam para ouvir a resposta (e que, no caso da resposta ser negativa, com certeza não mudaria nada).Quando perdi meu pai, passei algums natais com outras famílias, depois com outras pessoas sem família, até que decidi aceitar minha situação e passar sozinha justamente porque entendi que ele é uma data muito importante para ser apenas uma representação, quase um teatro. Sim. Bem assim: aquele grande ato onde todos se abraçam e dizem coisas doces e esperançosas e no dia seguinte voltam a se degladiar, voltam a não se emocionar com a beleza dos pequenos gestos. Voltam a ignorar o próximo e esquecer o que é compaixão. Esquecem que o presente mais importante é o aniversariante, e ele é sinônimo de amor. E não se ama com data marcada na agenda. Amor é exercício diário.

Passei Natais verdadeiros e memoráveis na companhia de ilustres desconhecidos que abasteceram em mim o Espírito de Natal por muitas e muitas noites. Em uma “Noche Buena” (como os hermanos chamam a noite do dia 24) depois de me passar nos horários da pedalda e não achar o camping, fui recolhida por um casal que ofereceu carona até o camping porque eu estava longe. No meio do caminho, ofereceram o quintal da sua casa pra eu acampar. Aceitei e quando eu estava tirando as coisas da bicicleta, acabaram oferecendo um quarto e dividiram comigo também sua singela ceia. Comigo e com um cão que também tinham recolhido no caminho, aturdido pelos fogos. Foi lindo. Não tirei fotos. Mas tenho ainda a cena como uma pintura na minha retina. Na manhã seguinte, tinham preparado um café da manhã para que eu tivesse “combustível” para seguir viagem. Me contaram que já tinham viajado muito e se colocaram no meu lugar. Que presente lindo : colocar-se no lugar do outro! Sempre que lembro deles, naquele cantinho abençoado da Playa Fomento, vivo, revivo e exercito o Natal.

Você já parou para pensar o que deseja quando deseja um “Feliz Natal”? Quando deseja “linda noite”? Está pensando naquela varinha mágica, capaz de criar um oásis de paz, carinho e respeito por algumas horas? Ou está desejando que o pequenino aniversariante cresça no coração do próximo e lhe ensine cada dia a ser melhor, a ser mais amor? 

Este ano eu passei a noite de Natal nos céus ( por sorte, nenhim avião esbarrou no trenó de renas voadoras do Papai Noel!)….com algumas pausas em aeroportos e fiquei pensando todas estas coisas…parece que quamdo a gente vê de longe (ou de cima, no caso!) tudo parece mais simples e claro!

Então: é Natal! Sim! Que alegria! Data que deve ser celebrada – com carinho, com abraços, com sorrisos e muito amor ao próximo. É Natal e este sentimento não deve morrer ao longo do ano….se o alimentarmos, com certeza nos carregará no colo em muitos momentos ao longo do ano. É Natal, não precisa DAR presentes, mas tem que SER presente!

…este é meu desejo!

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