Chuva ou sol? O caminho ou o destino?

Este ano o inverno foi chuvoso….os dias se sucediam e a água parecia inesgotável. A reclamação era praticamente unanime: chega de tanta umidade! Eu, que vou e volto de bike para o trabalho todos os dias, confesso que no início também estava  pouco incomodada. Até por toda logística que é necessária para pedalar na chuva: um roupa para encharcar de suor por baixo da capa, uma para usar durante o dia, outra seca para voltar. Isso sem contar as galochas e o sapato extra. Por que não deixar um dia a bike descansando em casa? Eu pergunto e eu mesmo respondo: porque o caminho diário constrói bases sólidas para meus mais lindos – e loucos! – sonhos. É como diz meu amigo maratonista: o melhor treinamento é a constância. E assim vou. E não quer dizer que por eu mirar o horizonte adiante, eu esqueça dos metros que estão a minha frente a serem vencidos. Aprendi com sol e chuva, a amar o caminho. Com todas as surpresas que ele nos revela. Tenho a sensação que que poderia fazer mil vezes o mesmo trajeto e sempre perceber algo novo. Até porque, mudam as estações, muda a luz….mudo Eu! Quando estou pedalando na chuva, de tanto em tanto sacolejo o capacete e me divirto com os pingos que eu crio, como se eu fosse um cachorro, sacudindo para mandar a água embora. E penso em uma canção e vou cantarolando no caminho…quanso me dou conta, já cheguei!Sempre penso que durante uma cicloviagem nem sempre vou poder me dar ao luxo de esperar o sol e é maravilhoso aprender a ver a beleza nos dias nublados, pois os céus azuis se tornam ainda mais luminosos quando surgem na comparação. Viajo nos pensamentos, lembrando o quanto as diferenças são importantes na vida para aprendermos a valorizar o que se tem. Se na cidade a chuva pode ser um transtorno, no sertão ela é bênção. Uma vez tive o privilégio de encontrar-la lá, em meio a terra seca e o horizonte sem fim e observei a euforia e gratidão dos moradores locais pelos pingos que caem do céu e significam esperança. Esperança da plantacao ir adiante, do gado ter o que comer, da gente ter o que comer…Ia ficar por aqui, mas me dei conta que a chuva e o sol, são também como o choro e o riso….Sim! Seguir é preciso ainda que doa, porque com certeza as lágrimas um dia cessam e a gente acaba rindo de tudo isso…

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