Os olhos do Invasor

Em janeiro de 2016 fui pela primeira vez em um Haras. Por ironia do destino – para uma gaúcha, estado onde está 60% da criação nacional de PSI – este primeiro contato foi no Uruguai, no Haras Cuatro Piedras. Junto a um grupo de jornalistas latinoamericanos, conhecemos o famoso Invasor (Candy Stripes e Quendon por Intérprete) – uma cavalo argentino que ainda potro foi para o Uruguai  e, mesmo após uma operação no joelho, fez uma campanha excelente no país. Venceu a tríplice coroa e todas as corridas que disputou no Uruguai. Foi vendido para o  Sheikh Maktoum pela incrível quantia de 1,4 milhões de dólares e  aos 3 anos viajou para Kentuchy, EUA, onde foi recebido no Haras Shadwell e deu sequencia a sua trajetória de vitórias, coroada pela vitória da Breeder’s Cup 2006, no conceituado hipódromo de Churchill Downs. De lá, “carimbou o passaporte” para a Dubai Wolrd Cup, vencida em 2007.  Ainda sem saber de toda esta história de glória, esta foi a primeira vez que vi o Invasor “desfilar”, e com sorte de principiante tirei uma foto – que ao meu ver – expressa um pouco de sua alma. Mesmo sem saber detalhes, desde o primeiro olhar, aquele cavalo de porte impar não deixava dúvidas de sua trajetória diferenciada, coroada de glória.

Quis o destino que nos reencontrássemos. Eu e o Invasor. Eu por hora não mais trabalhando com  cavalos, mas cada vez mais, amando-os intensamente…no último ano avancei rapidamente: de montar um “burrinho de carnaval” em janeiro, para um jegue em julho até  ter meu mais impossível e improvável sonho de montar em um cavalo puro sangue inglês realizado no final de dezembro. E não  foi apenas montar. Foi subir – com os dedos enrolados em sua crina – “manobrar” pela praia, sem sela, e entrar Rio de la Plata adentro para uma  “cavalgada” que com certeza mudou nossas vidas: a minha, a do rio e a de Exótica (Mogador e Exclusive Love por Midnight Tiger) – a doce égua que me levou pela água com se eu estivesse nas nuvens… Nunca vou esquecer da sensação: deslizando pela água como se não  houvesse tempo nem medo, “charlando” sobre as maiores riquezas da vida que dinheiro nenhum compra. Enquanto eu seguia com a Exótica, meu novo amigo seguia ao meu lado em um cavalo branco. Não  podia ser mais simbólico: “Sense and sensibility…”
E assim, eu volto ao Haras Cuatro Piedras, trazendo todas estas vivências que fazem pulsar mais forte o coração e não deixam dúvida que o amor pelos cavalos é universal e mais forte que qualquer diferença cultural. Eu, cada vez mais parte do mundo que coroou o Invasor, mesmo que não tenha vivido ainda nem um décimo das emoções que ele protagonizou.  Recebida com carinho pela proprietária, saudada pela equipe por minhas aventuras de bike. Enfim minhas grandes paixões se encontram: cavalos, flores e bicicleta.  E por falar em flores, o Haras Cuatro Piedras, com estrutura impecável e atenção a cada detalhe, este ano ganhou em seu paisagismo a presença das rosas. “lembrança de uma viagem inspiradora feita a Austrália, país das corridas de cavalo” – me conta Claudia, a proprietária, dividindo experiências e aprendizagens coroadas pela participação na Melbourne Cup e deixando claro que o sucesso do empreendimento é fruto de muita dedicação, profissionalismo e paixão pelo Puro Sangue Inglês.  Logo em seguida me perguntam se eu quero ver o Invasor e eu não hesito. Junto ao grupo de convidados vamos a redonda. A oferta é  que quem queira tire uma foto com o grande Invasor, que segure suas rédeas… eu me animo e quando percebo lá  estou eu dando uma volta em marcha ré, tal caranguejo, e o mirando nos olhos do Invasor. Zero para a técnica de “manejar” cavalos. Dez para a emoção. Ele fazendo jus a seu nome e invadindo meu ser: seus olhos entraram nos meus e não  mais me saíram da cabeça. Fiquei pensando tudo que eles já tinham visto….era como se através de seus olhos eu pudesse compartilhar ao menos um pouco de suas vivências. Agora de volta ao Uruguai, como garanhão, este cavalo já  ganhou a Dubai World Cup e na raia superou os melhores e maiores jóqueis  e  cavalos do mundo. Antes disso, cruzou ares e mares para vencer, nos EUA a famosa Breeders Cup. Quero estar nestes templos da hípica e reviver alguns de seus passos. Como terá sido para este garanhão de velocidade impressionante e alma indomável todas estas idas e vindas? Que idioma “fala” afinal este grande atleta? Com certeza ele não passou incólume a todos estes cenários e experiências… O Invasor parece trazer em si a vibração do público, a energia dos jóqueis, toda a grandeza de suas vitórias, os sonhos dos que acreditaram e que ele realizou! Talvez por isso, pareça gigante aos meus olhos. Ele é o símbolo e a prova concreta de uma paixão que é universal. Impossível não  transparecer que não  se trata de um cavalo comum. Ele sabe o seu poder. Se eu ficasse mais algum tempo – como estive – hipnotizada pela sua presença, creio que ele me convenceria a fazer qualquer coisa. Não  tenho como ignorar. O que separa um simples cavalo de um grande vencedor é sua vontade de vencer. Quero muito aprender com ele…e vou me inscrever neste páreo!

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