Eu, cicloturista?!

E lá ia eu, na calma das minhas pedaladas, pelo acostamento, rumo à Gramado…o caminho para mim é a grande curtição e eu ia degustando cada detalhe quando um carro passou por mim e buzinou…. ok, volta e meia os carros buzinam…mas este, foi diferente: tive sensação de que os tripulantes me conheciam. Contudo, quando ele me ultrapassou e vi a placa de Igrejinha, deduzi que não era comigo e segui no meu ritmo contemplativo…

Algumas curvas mais a frente, estava o tal carro prateado, dois casais do lado de fora do carro acenando e quando eu passei eles chamaram: “moça, moça…” Confesso que eu não ia parar, mas, em uma fração de segundos calculei que eles não deveriam me fazer mal e que provavelmente eu tinha perdido alguma coisa na estrada, então, curiosidade falou mais forte: voltei! Rapidamente um dos rapazes me perguntou: “para onde estas indo?”. Quando eu respondi “Gramado” ele olhou com alegria para os outros e empolgado afirmou: “eu não disse que ela era uma cicloturista?!?” Ciclo – o- que? Diante da minha surpresa e do inusitado da situação segui na conversa e descobri então que sou uma cicloturista. Sim…uma mistura de turista e ciclista…um jeito diferente de viajar e de curtir a bicicleta: o que vale é o caminho e não a pressa de chegar.

Neste dia em especial, mesmo que eu tivesse pressa, de nada adiantaria….era o início de um feriadão e eu estava determinada a curtir a paisagem e tomar banho de cachoeira, só que nos primeiros 20 km o câmbio da bike quebrou e eu não conseguia trocar as marchas. Me lembro que cheguei a cogitar voltar para casa…mas o sol e o cheiro de mato me fez ir em frente. Não pude me dar por vencida e fui adiante: sempre em frente…y arriba!

Comentei com o  grupo o meu problema e eles disseram que se eu tivesse parado na primeira buzinada, eles poderiam me ajudar pois conheciam alguém de uma loja de bikes…mas, agora já estávamos muito longe, praticamente em Três Coroas e não valeria a pena voltar. De qualquer forma, fiquei feliz: agora já tenho um eventual ponto de apoio em Igrejinha, se um dia eu precisar…

O meu futuro amigo – que me ensinou que sou uma cicloturista – analisou minha bike e a cestinha que eu desenvolvi e contou um pouco de suas aventuras: ele tinha feito um longo pedal pela Argentina….mais de 1000 quilometros…. Ele me fez perguntas técnicas: sobre o que eu comia, o quanto de água levava…foi surpreendente….de uma hora para outra o que os meus amigos chamavam de loucura ganhou um nome, sobrenome, ciência…e eu, acabei ganhando uma família: outros loucos que como eu gostam de curtir a paisagem com os cinco sentidos, em um ritmo desacelerado.

Troquei e-mail e depois troquei algumas figurinhas….em outra ocasião, de passagem pela cidade (de bike, óbvio!), fiz uma visita, vi fotos, ganhei dicas de mecânica…sim, não restou nenhum dúvida: sou uma cicloturista.

P.S: E, sobre o câmbio estragado, consegui consertar uns 100km adiante. Sem problemas, pois foi um feriado abençoado: 3 dias de sol e clima ameno e 315km e pedal!

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