As surpresas do caminho

Um 4 de julho diferente. E viva a independência!

Leopoldina, MG…mal cruzei a fronteira, já veio o cheirinho de lenha e um misto quente com uma abundância e gostosura de queijo que eu não resisti ao bis! “Ê Minas Gerais” vou cantarolando enquanto rio comigo mesma pensando aonde eu vim parar…

Mas, vamos do começo: o 4 de julho na verdade começou as 4 da manhã – e quem disse  que a ansiedade conseguia acabar com ele ontem a noite?! Duas semanas de chuvas praticamente continuas e eu tive que me equilibrar para não levar um tombo dentro de casa. Por ironia do destino, meu destino é Tombos. O taxista amigo, acostumado a carregar a bike apontou no meio da escuridão na hora exata e confessou: “se não fosse você Caroline, ficaria em casa porque não há ninguém na rua e a cidade esta inundada.” Chegar no aeroporto não foi fácil, precisamos desviar pela auto estrada, pelo caminho mais comprido para conseguir chegar de carro….caso contrário, só nadando! No caminho, pela rádio taxi, uma noticia sinistra: 2 executados em um táxi…

Segui viagem: lá estava meu assento 36 janela. 

Tinh uma cara estranho no ultimo banco, que em meio ao temporal insistiu em fotografar a decolagem mesmo com a advertência da aeromoça.  Procurei não pensar. Não podia fazer nada. Só abracei minha mochila e dormi.

Dormi…e acordei em um colchão de nuvens iluminado por um rosa vivo que anunciava a chegada do sol…um rosa lindo e vivo que encheu ainda mais meu coração de amor!Assim que o avião pousou e os inquiets passageiros levantaram o comandante ordenou que todos sentassem novamente. Entrou um rapaz uniformizado e convidou o elemento sinistro a se retirar da aeronave pois a policia federal o aguardava lá fora. Uai, então não sou tão exagerada assim. Enquadrado o elemento desembarquei. A grande maravilha de viajar sem bagagem, apenas com a mochila nas costas e a mala bike é que a bagagem especial é a promeira a ser entregue…as malas dos reles mortais nem tinham beijado a esteira e eu já estava desfilando no saguão do aeroporto de atleta. 

Mas a ansiedade ainda não me largou. Desisti de encontrar o amigo carioca,  peguei o frescão e fui para a Rodoviária tentar antecipar a viagem.

Desci na Novo Rio e a Flecha Venturosa já começou a chamar a atenção.  Recebemos algumas ofertas de ajuda mas eu agradeci. É feio passear e não conseguir carregar. Escutava de canto: “ela deve estar acostumada”.

Confesso que perdi um pouco o treino, mas, se eu não insistir, nunca voltarei a boa forma.

Cheguei no balcão da companhia e vi que tinham acabados as notícias ruins: “temos um lugar no onibus das 13 senhora. O último”. Amém!

Encontrei um lugar comodo para mim e minha fiel escudeira – Flecha Venturosa – pedi um mate para matar as saudades e logo veio a moça perguntar se eu viajava de bike. Quando falei um “sim” vi um brilho no olhar pedindo que eu continuasse…e eu fio para o sacrificio! Contei que nenhum sonho é impossivel e que o mais importante é começar. ..ou recomeçar como é o meu caso, mas nunca ca desistir. Aconselhei ela a começar por percursos curtos e ir ganhando confiança. ..ela agradeceu e saiu sorrindo. Fiquei feliz. Acho que fiz feliz. E com certeza, ela ficará muito mais feliz depois da primeira cicloviagem!

Segui minha espera, absorvendo cada detalhe, agradecedo cada segundo, rindo sozinha da minha loucura do bem…

Enfim o onibus apontou. Sete horas e meia de viagem pela frente e sentou do meu lado um mineiro que comprou a penultima passagem e por ser paraquedista, foi me explicando a paisagem do caminho…e que caminho! Teresopolis, Além Paraiba, Leopoldina – quando comecei a escrever esta historia – Barra Muriaé que me surpreendeu com um Cristo Redontor lindo e verde de esperança

Cristo em Barra de Muriaé, Eugenópolis – quando paramos na rodoviária e eu espiei por uma janela que a angústia tinha acabado: Brasil 2 x 1 e vaga garantida nas quartas de final. Sim, se não bastassem todas as aventuras, acanei viajando bem em dia de Copa do Mundo! Emoções futebolisticas à parte a viagem seguiu…Muriaé, Patrocinio, Raposo, Natividade, Porciúncula e enfim Tombos! 

Depois de Raposo, já tinha descido mais de metade do onivus e eu pulei para a janela só minha…fiquei grudada que nem criança, com o nariz como se fosse uma tomada, colodo no vidro para cuidar as surpresas e recortes do caminho.

A lua pela metade. E uma colcha de estrelas de arrancar suspiros…Já fiquei imaginando encontrar pirilampos no caminho…Fiquei pensando por que tanto entusiasmo e me dei conta que estou me deliciando por conhecer mais uns brasis…por me conhecer um pouco mais – e gostar do que eu vejo…

Dia destes uma amiga postou que se você quer encontrar uma pessoa para mudar sua vida, deve se olhar no espelho. Todos estes caminhos me refletem. Quando me conecto com a natureza tenho certeza da minha força, da minha beleza, da minha imensidão que não deve se conter!

Fim da linha: Tombos. Em homenagem as cachoeiras que hipnotizaram o fundador da cidade…que se encantou com a beleza e intensidade das quedas d’água e resolveu aqui se estabelecer. O estação rodoviária não poderia ser mais linda: a antiga estação ferroviária. Pintadinha, acolhedora. Do outro lado da rua, meu hotel e, só desta vez aceitei ajuda para levar a Flecha. Ela ficou me esperando na portaria enquanto eu subi para o quarto e me encantei novamente: janelas de madeira, floreira com gerânios vermelhos – meu simbolo pessoal de germanidade – e vista para a já querida estação.  Desci para montar a bike e vi que vou me encantar muito por aqui: o mineiro é muito simpática, eita povo gentil!

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