Deus escreve certo por linhas tortas…e a gente faz múltiplas escolhas!

A vida é feita de escolhas. E cada uma delas é parte importante do belo e colorido mosaico que registra nossa existência, contando nossa história.

Eu devia ter cerca de 11 ou 12 anos quando tive uma conversa “séria” com minha mãe. Ela disse que eu podia escolher qual religião eu gostaria de seguir – se a dela, católica, ou a do meu pai, evangélico de confissão luterana. Apesar da pouca idade, lembro que não precisei refletir muito: entre a prostração de joelhos diante de um Cristo todo ensanguentado e a formalidade do “Vós”, dei preferência a uma igreja que me acolhia com tintas e brincadeiras no culto infantil, que me convidava para encenar o nascimento de Jesus nos dias de hoje e que me apresentava a liberdade de uma cruz que já foi carregada por alguém que nos amou mais que tudo. Sim. Sou Evangelica de Confissão Luterana no Brasil e, talvez tenha sido esta uma das mais importantes escolhas da minha vida, pois me apresentou um caminho a ser seguido. Anos mais tarde, reafirmei minha opção e fiz outra importante escolha: um versículo para marcar minha confirmação. Dentre tantas opções, parecia uma tarefa inglória… como escolher um ensinamento para toda a vida se eu nem tinha idéia do que Deus reservara para mim? Se em plena adolescência ainda não tinha nem escolhido minha profissão nem mesmo feito grandes planos para o futuro… Foi uma escolha difícil. Mas, a cada ano vejo que não poderia ter sido mais acertada:

“Buscai primeiro o Reino de Deus e todas outras cousas vos serão acrescentadas.”

E, assim tenho feito. Do ensino confirmatório “engatei” no grupo de jovens. Lá defini – ou descobri – minha vocação e comecei a conhecer o mundo que é fonte constante de inspiração. Eu fui convidada a representar meu grupo em um encontro regional. Na igreja fiz amigos e me encantei com tantas histórias e realidades. Pouco depois eu já fazia parte dos conselhos regional e nacional da juventude. A cada final de semana novos horizontes, velhos e novos amigos e a oportunidade despertar lideranças, de unir capital e interior, de construir pontes, de entender que não há distância que separe ou deprecie a grandiosa família de Deus. Se por um lado os horizontes me faziam sentir pequena, irmanada com tantos rostos e realidades eu me sentia um gigante! Passei a viver e celebrar a diversidade e criar raízes para outras importantes escolhas que viriam mais tarde. Aliás, como diz minha amada prima, se referindo as infinitas belezas da Criação, “como Deus é criativo!”. Ele me colocou tantas linhas tortas, para que eu tentasse escolher o certo.

Sim. A vida são escolhas. Aos 20 anos fiquei noiva e casei.

Foi uma escolha. Uma dura aprendizagem: esqueci meu versículo de confirmação e o amor próprio, larguei até minha caminhada junto à comunidade.

Felizmente aceitei um convite para um inusitado Culto de Lava Pés na Semana Santa. Lembro que meu então marido criticou quando eu disse que iria, mas eu aceitei o convite e naquela tarde fria experimentei uma sensação divina – vida em comunidade. É isso que me move. Foi um ano de reviravoltas: minha mãe faleceu, me separei, fui demitida, voltei pra casa do pai, voltei para vida! Vida em comunidade: a sensação maravilhosa de ser grão de areia na valiosa seara de Deus.

No ano seguinte, perdi meu pai. E felizmente não perdi a chance de dizer “eu te amo” na ultima visita que fiz a ele com vida no hospital. Acho que foram essas algumas das linhas tortas que me colocaram novamente diante do versículo escolhido para confirmar minha fé.Desde então – já fazem uns 15 anos – nunca mais esqueci a lição: “buscai primeiro o reino de Deus”. E cada dia sou e estou mais feliz. Desisti de seguir os padrões da sociedade. Sigo meu versículo. E tudo vem em seguida, como um presente de Deus.

Deixei de esperar o momento perfeito, para viver cada momento com sua perfeição.

Busquei meus sonhos: morar em casa, trabalhar só com o que eu acredito, ter minha horta e meu jardim, pedalar o mundo. Ser feliz. Sou a cada dia. É a minha forma de agradecer a Deus por seu amor, de cumprir seu primeiro mandamento: ama ao próximo como a ti mesmo.

E, por falar em amor, foi justamente na data que marca a expressão maior do amor de Deus por nós, a Páscoa, que resolvi pedalar com novos velhos amigos: fiz uma aventura em tanto, fui de Maceió a Recife pelo litoral, de bicicleta. Foram 3 dias extremamente gratificantes pelo litoral, na maravilhosa “via crucis” que eu escolhi, com lições que dariam um livro. Na volta, o avião sofreu uma pane em pleno céu- não podia seguir viagem nem pousar, então ficou durante 2 horas dando voltas na turbulência até enfim gastar o combustível e descer. Nestes momentos de angústia, já tinha dado como certa minha morte, mas confesso que não tive coragem de reclamar para Deus… cheguei a enumerar uma ou duas coisas que ainda gostaria de viver. Enfim, acabei “largando de mão”. Larguei nas mãos de Deus. E, o avião pousou para que eu pudesse contar esta história.

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