Ontem eu era louca, hoje eu sou feliz

Quando criança, eu dizia que queria ser dona de casa. Todos achavam graça da minha opção, achando que eu estava confundindo tudo, mas, antes de completar três decadas eu comprei minha casa…

No colégio, me apelidaram de ET porque eu era sempre diferente e como eu achava a coisa mais linda aquele personagem de Steven Spielberg adorei o apelido…como não amar aquele olhar e aquele dedinho torto? E a cestinha da bicicleta? 

Acho que até então eu era baixinha (não, na verdade, normal!) e gordinha até que numa gripe – ou será que foi a natação?- eu espichei e virei a última da fila. Do 1,50 ao 1,70 em plena adolescência…e depois fui esticando mais uns 13 centimetros ainda… Eu era sempre uma cabecinha acima da multidão. Ao invés de achar ruim, adorei a visão privilegiada que eu tinha nos shows e subi no salto… amei a liberdade de ser a última e poder, quem sabe, me desgarrar…A verdade é que nunca tive noção do meu tamanho…

Segui minha vida pouco a pouco tomando consciência de que eu era realmente uma pessoa exótica, já que eu nunca comsegui ser como a maioria e ter um comportamento padrão. Havia os que dissessem – e ainda dizem! – que sou louca.

Cheguei a passar por um casamento tentando ser normal…até que um dia, do nada, ou melhor, do tudo acumulado desisti de lutar e ser o que não era, desisti de ser louca e decidi “apenas” ser feliz! Busquei tudo aquilo que era meu, só meu e comecei a desenvolver a coragem absurda de falar o que penso e ser o que falo. Na certeza absoluta de que o que mais vale na vida é  o que ninguém me tira. Não, não é fácil. Mas é delicioso pois a liberdade de ser reconforta até as tristezas mais profundas e transforma os golpes da vida em treinamento e aprendizagem. Sempre haverá os que digam que resolvi lutar contra a corrrente, mas, muito pelo contrário, resolvi seguir em sua direção, na minha direção.

Uma vez fiz uma travessia a favor da corrente. Na verdade, A Travessia: 6,5km da Ásia para a Europa, pelo Estreito de Bósforo. Foi melhor tempo da minha vida de nadadora.  Existiam atletas muito mais bem preparados do que eu, mas que no entanto, tiveram um tempo pior que o meu: eles também iam na correnteza, mas brigavam com as inquietas águas.  Eu não, fui procurando me encaixar, me deixando levar sem nunca perder de vista onde queria chegar. É mais ou menos como uma grande  amiga que diz: não quero ter razão, quero ser feliz! E foi justamente este encaixe – nas águas turcas e na vida – que me fizeram deixar de ser louca para ser simplesmente feliz!

Quanto mais fui me encaixando, me cercando de coisas que para mim fazem sentido, mais minha vida foi dando certo, mais sonhos foram se transformando em realidade.

Se antes viam com estranheza e pavor meu hábito de sair por aí, pedalando e curtindo horizontes, hoje estou na moda e ganhei até alcunha: sou cicloturista. Se eu causei espanto ao descer da bike de vestidinho e saltão, hoje ir para o trabalho de bike chega a ser politica de estado em alguns países da Europa. Já virei até modelo em 2 exposições distintas por esta minha outrora doida atitude.  Se eu era bicho grilo porque gostava de colher no próprio jardim alimentos fresquinhos, hoje sou tendência. Se todas as vezes que joguei tudo para alto e pedi demissão em nome dos meus valores antes era inconsequência hoje é sonho de consumo, perfil de geração. 

Não tenho mais medo de sair de um apartamento e ir morar numa casa com pátio e cachorros. De trocar de opinião. De pintar o cabelo. Ou não pintar. Não me importo com o que achem, ou com o que digam – ainda que sempre reflita a respeito em nome da minha sintonia fina em busca da minha essência. As modas mudam, o mundo muda…

Assim, ontem eu era louca, hoje sou feliz!

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