A borboleta alienista

Vários livros marcaram minha vida. E com certeza muitos outros ainda virão. Assim como ditos populares e frases feitas que – por mais manjadas e condenadas que possam ser – sempre têm o seu valor!

 Nos últimos tempos vinha sentindo uma angústia que não sabia explicar…talvez a mesma da lagarta aprisionada no casulo esperando pela promessa libertadora de ser uma borboleta…e foi nesta verdadeira crise que me lembrei de uma destas frases bobas, que diz que “o cúmulo da rebeldia é morar sozinha e fugir de casa”. Assim, contei com o meu sempre cúmplice e amado companheiro  – o Universo – para fazer planos…. Ah! Como adoro fazer planos: para mim não basta saber que vou voar, eu já fico pensando nos horizontes que vou desbravar, nas piruetas, nas flores, nas cores & cheiros… só neste exercício já vou me libertando do casulo e ficando mais leve!

Um dos tais livros que me marcaram foi o Alienista, de Machado de Assis, e sua busca incessante de catalogar e isolar “loucuras”, a ponto de perceberse sozinho diante da cidade encarcerada e chegar a questionar se não é ele mesmo o verdadeiro louco. Assim como o protagonista de Machado de Assis, muitas vezes eu também me sinto asfixiada pelo casulo da mediocridade, tentando encontrar uma lógica. E quase me convenço de que a errada sou eu. Eu: a louca rabugenta.

Mas, graças a genios da literatura existe um Dr. Simão Bacamarte e também o maravilhoso Fernão Capelo Gaivota e eu consigo enxergar mais longe… 

O fato é que algumas pessoas tem intolerância a lactose. Outras ao gluten. Eu não suporto a mediocridade e a ignorância.  Ambas me dão urticária e me causam tristeza: como a preciosidade da vida pode ser desperdiçada com a acomodação e a ausência de perguntas? Tenho pena. Tenho medo pois não quero me contaminar. Rezo pela luz. Quem não quer – ou não consegue enxergar sua própria beleza e assumir suas originais loucuras – é digno de piedade. Que tipo de pessoa precisa alimentar-se da derrota alheia para sentir se alguém?  Não. ..definitivamente para mim isto não é a aceitável.  E, mesmo que eu tenha que me debater no casulo e colocar em risco minhas preciosas asas, ainda prefiro a dor da crise à louca e pseudo calmaria de deixar as coisas como sempre foram, sem questioná-las, sem dispor-se a transformar, gastando a vida como se ela fosse um fardo, e não um presente. Como pode a lagarta ignorar sua vocação?  Nem nos meus mais profundos delírios concebo ter asas e não voar! Quero engolir meu destino, nem que tenha indigestao! Para mim é mais doloroso viver ignorando e desacreditando a transformação do que a eventual frustração de se quebrar ou morrer tentando.

É aí que meus heróis dos livros e ditos populares se encontram. E é aqui que me encontro – no Canto da Lagoa, em plena fuga…degustando um japa maravilhoso a luz de velas e já colhendo os louros da meu ousado plano…

A fuga, diga-se de passagem, deu muito certo – mesmo que tivesse tudo para não dar – e prova e comprova que minha rebeldia faz todo sentido e os quebra cabeças da vida sempre se encaixam: e não é que vou almoçar em um restaurante sobre a lagoa, e do trapiche me espia Fernão Capelo Gaivota?

Rota de fuga

No mínimo há 3 anos que eu tenho vontade de participar do Reveza 10 – um prova de natação que dá a volta na Ilha de Anhatomirim. Ou não conseguia equipe, ou não conseguia a data, ou outras pequenas provações do destino. 

Desta vez fechou. No início do ano apareceu uma passagem aérea em promoção. Era tão barata que valia até mesmo perder se fosse o caso. 

Três semanas antes da prova e eu ainda não tinha conseguido os 9 colegas de equipe.  Joguei na rede social e confiei… Neste meio tempo, peguei uma virose, passei uma semana me arrastando, outra sem nadar e já tinha dado o caso como perdido. 

Mas eis que quando começo a retornar ao planeta Terra, surgem uma daquelas bolinhas mágicas na tela do celular com a mensagem improvavel: equipe completa!

Daí foi gincana: preparar toda logística, pensar onde ficar, como se deslocar…o plano de fuga caiu como uma luva: deu o toque de desafio necessário para a superação que tanto amo. Adversidades não faltaram: como as vagas esgotadas na escassa rede hoteleira da cidade. Cheguei a pensar em acampar, mas uma ligação afastou essa possibilidade. Decidi então ficar na capital e alugar um carro. E, já que era para ficar longe,  que eu aproveitasse um pouco de mato então.

Na última hora surgiu uma carona de escuna – quem tem boca com certeza vai a Roma – e pude abrir mão do carro oque, confesso, estava me causando certo desconforto.   

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