Quero ganhar por um focinho

Sou nova no turfe, estou completando meu primeiro ano de atividades no Jockey Club do Rio Grande do Sul, onde aceitei o desafio de criar e desenvolver a  área de marketing do Clube. Não entendia nada de cavalos, os programas das reuniões pareciam pra mim verdadeiros hieróglifos.  É  algo complexo. Mas, vim do mercado e sou atleta e, como tal, ou movida por desafios… pela busca constante da superação. Tenho aversão ao sedentarismo, seja ele de corpos ou de idéias.  Olhava para todo o potencial da instituição, toda a beleza do esporte e me perguntava por que ninguém acreditava. Por uma sorte grande da vida, conheci uma pessoa que via o mesmo que eu, na verdade, bem antes de mim. Aliás, foi ela que me ensinou a amar o JCRGS e mostrou todo o mundo de oportunidades que existe neste latifúndio. O nome dela? Lúcia Zago. Muito mais do que uma primeira dama, mais do que uma diretora social: uma profissional que merece minha reverência: formada em economia, fez MBA em marketing estudando à fundo o turfe em seu trabalho de conclusão e colocando à meu dispor toda esta riqueza de conhecimentos. Mas não foi fácil me enturmar. Quase me perdi no alinhamento e estava quase desistindo deste mundo cheio egos e pré-conceitos, quando entendi o verdadeiro espírito da corrida de cavalos: dar o máximo sem olhar para trás, ganhar por um focinho, fazer de tudo como se o mundo acabasse no Disco da Vitória. Esta foi a melhor tática, confirmada meses mais tarde por um dos muitos discursos entusiasmados de nosso carismático presidente José Vecchio Filho, ao assistir seu cavalo perder para Beduíno do Brasil no GP Protetora: “turfista que é turfista, não seca cavalo bom”. E assim, veio a oportunidade de realizarmos o Desafio de Campeões. E eu entrei de corpo e alma no evento. Deixei de lado os ransos do passado  – que, afinal das contas nem vivi – , ignorei os pessimistas de plantão e acreditei em um evento que para mim era uma notícia inconteste. A cada e-mail que trocava com os nossos “campeões” reforçava a certeza de que estava lidando com os melhores e que eles não mereciam nada menos do que isso. Dei o meu melhor e mesmo assim faltou muita coisa, mas tenho certeza que não seria penalizada pela Comissão de Corridas pois as divergências de resultado estavam além das minhas forças. Sem modéstia, acho que foi um grande evento, um importante passo. Espero e desejo que seja o primeiro de muitos passos, de uma caminhada que fortaleça este esporte soberano, que tem tanto a ensinar – e encantar – atletas amadores como eu.

Vou seguir lutando. Como lutei com um pit bull no início deste ano, que devorou parte de minha canela mas que não impediu que eu pedalasse mais alguns quilômetros em busca de atendimento médico( e eu fui resgatada na emergência por um turfista!). Acredito nos cavalos, nos jóqueis, nos treinadores, nos proprietários, nos funcionários do JCRGS e em sua corajosa diretoria,  e todos os que fazem o espetáculo do turfe acontecer. Quanto mais hipódromos, melhor. Quanto mais espetáculos, melhor! Quero forçar a turma, quero ganhar por um focinho. Me alegro em fazer parte este mundo!

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