Sobre desistir

Eu sempre amei bandeiras. Acho que é porque elas têm movimento, tem emoção, tem história!

Desde o primeiro dia em Curaçao, me encantei com sua bandeira, foi amor a primeira vista. Contudo, naquele paraíso eu não me permitia perder quase nenhum tempo com internet, para pesquisar seu exato significado. A concessão veio no antepenúltimo dia, enquanto eu esperava o grupo no lobby do hotel. Achei a história e passei a achar mais linda ainda a bandeira. Me veio um sentimento avassalador de que eu precisava conhecer a estrela menor da bandeira, uma outra ilha – deserta – chamada Klein Curaçao. Compartilhei com grupo e alguns se animaram… falamos com o concierge do hotel e logo em seguida a primeira contrariedade: não tem lugar para todos… Segunda contrariedade: no catamarã impossível, só se vocês forem no barco que demora a dobro do tempo. Eu não tive dúvida: estou dentro! E logo mais 3 pessoas se animaram. Tudo certo: no dia seguinte, as 6 da manhã viriam nos buscar. Final do dia e excitação em nível máximo: é amanhã! Despertador para as 5 da matina. Enfim consegui dormir e logo em seguida ele tocou. Levantei e fui para a janela, dar uma piscadela para a bandeira e chovia aos cântaros… praticamente um temporal. Esfreguei os olhos e tive vontade de chorar.  Era minha última chance, no dia seguinte iríamos embora. E eu já estava quase jogando a toalha, quando eu tive um lapso de sabedoria: se durante os dias é tão quente e seco, como pode haver várias poças d’água pela cidade. “Eureka! Em algum momento deve chover nesta ilha… e deve ser justamente no momento em que eu não vejo, ou seja: quando eu durmo”. Com este pensamento segui arrumando minhas coisas e parece que diante da minha indiferença, a chuva abrandou. 10 para as 6 estávamos na ponte e  chovia fino. Deu até tempo de fazer graça aproveitando o cenário deserto. Logo em seguida a van chegou para nos buscar e foi quase uma hora de “passeio” pegando outros turistas até que chegamos no cais e o sol nos esperava com seus primeiros raios, mornos e suaves como um cafuné.

No caminho pegamos algumas intempéries, mas foi um dos dias mais ensolarados da minha vida: tomamos café com iguanas, nadamos com tartarugas, confundi meu olhar no horizonte sem saber o que era céu, o que era mar… voltei para “casa” no final do dia morena e feliz…

Mas, não era a história de Klein Curaçao que era para ser o tema do meu texto e sim o que aprendi com estes breves e palpitantes momentos: DESISTIR JAMAIS. Quantas vezes na vida eu me assusto com temporais e esqueço que há um horizonte maravilhoso me esperando no momento certo? O importante é não dar espaço demais para os sofrimentos temporários, para a falta de horizonte que às vezes nos confunde, para a sensação de que estamos perdidos porque estamos no tempo errado ou se foi a oportunidade…O importante é seguir sempre, desistir jamais e, em caso de dúvida, fazer o que meu amado pai recomendava: “Cacá, se não sabes o que fazer, faça o bem”.

 Estou fazendo… me deixando um pouco a panejar, como as bandeiras que amo, mas com fé de que ainda terei para quem contar histórias…

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