O parto da Artista

Dizem que os artistas sofrem muito as vésperas de uma exposição,  pois é o momento que sua criação ganha vida própria, ganha o mundo….e está sujeita a toda sorte de interpretações…. Os sentimentos mais profundos do pintor -por exemplo – e todo o seu infinito vocabulário de cores e pinceladas pode ser resumido a um borrão na ótica triste ou limitada de certo espectador. 
Mas, também é certo que a vida de um artista é criar e recriar e o risco de ser mal interpretado,  nem de perto se compara ao prazer da realização,  de exteriorzar sentimentos. 
Também é fato que não há nada mais certo do que o ditado: “cada cabeça uma sentença” – e dentro de cada cabeça há um pouco de tudo que já passamos nesta vida, das coisas que vimos e ouvimos… existe até um versículo que diz: a boca fala daquilo que o coração esta cheio. O artista só tem o dom de parir toda a inspiração que o habita…
Pois bem, estes dias meu coração estava cheio…quase explodindo e eu escrevi….só para mim (e para o mundo!). O coração ficou aliviado, mas outras cabeças sentiram-se incluídas em meu egoísta desabafo. Fizeram a leitura que sua vivência lhes permite. Caí na cilada do artista, não há o que fazer, nenhuma explicação e entendimento é possivel se afinal são praticamente dois alfabetos. É mesma impotência que senti quando estive na Bulgária e me deparei com o alfabeto cirílico….
Mas, minha “arte” foi compreendida por aqueles que compartilham meus sonhos, aqueles que como eu tem sede de mundo e sabem que quanto menores, maiores serão.  Aqueles que sabem – e sentem! – que a gota que evapora só,  no oceano é eterna….
Meu super herói preferido – como eu sou velha!  – é a Mulher Maravilha – independente e radiante,  que resolve tudo através de telapatia. Meus heróis da atualidade são os Ironmens e outros super atletas – estes bando de doidos que ficam nadando, pedalando e correndo dezenas de horas à fio.  Meu orgulho máximo é um amigo “baladeiro” que dizia que eu era louca porque pedalava160km em 12 horas na bike e que hoje faz o Audax pedalando 400km em surreais  18 horas. Esta é a minha cabeça, esta é a minha sentença!  Este é  o universo que ando gestando,  este é o universo que quero parir…
Quando eu olho o fogo, não vejo destruição,  mas sim o poder que impulsionou o desenvolvimento humano….e se eu me permitir relaxar um pouco mais, já estou em um balão em pleno céu,  movido pelo fogo – magia que a física explica. Experiência que eu vivi na mágica Capadócia.  E que trago em minha fala. Simples, despretenciosa, inerente ao meu raciocínio. Vivências. Experiências. Oportunidades para as quais sempre tentei me entregar com todos os poros, assim mesmo como a mãe  – ou artista – que entrega todas suas forças para o parto…doa o que doer…

 Não há nada mais certo do que dizer que uma mente que se abre nunca mais conseguirá voltar a restrição original. Assim também me parece impossível pensar na pequenez, se minha alma transita por lembranças e vivências maravilhosas.
Se é mesmo verdade que a grande parte da humanidade é medíocre – com exceção dos gênios e débeis – então o que me perturba é a pequenez e miopia das pessoas que olham para o próprio umbigo e por ignorar o mundo, não  conseguem olhar um palmo diante de seu nariz, como se este limite fosse tudo que é  possível. E como se não  bastasse a falta de profundidade, ainda brigam com soberba para que não se ampliem os horizontes. Pode se discutir criador e criatura, artista e sua obra, mas não  me venham com esta de que não  existe arte, de que não  existe poesia! Sempre haverá, independente da insensibilidade do mundo!

Nietzsche já  disse que aqueles que dançam  parecem loucos para os que não  estão  ouvindo a música. É  por aí. Não  me importo em parecer louca….mas com certeza prefiro escutar a música, ainda que muitas vezes seja proibida de dançar  pela surdez dos pequenos. E na aparente imobilidade,  vou continuar “parindo” meus sentimentos, sempre que eles forem maiores que eu e já  não caibam mais eu meu ventre! 

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