Lutero e a sobremesa

A gente deveria fazer isso todos os dias…mas, sei lá por que desiste sem mesmo tentar…

Sou luterana e tive o prazer de trabalhar na IECLB. Certa vez eu estava no refeitório da Casa Matriz, no encerramento de um reunião com a presidência e lideranças de todo país quando, depois do primeiro prato de sobremesa devo ter feito alguma careta muito estranha…e devia ser mesmo estranha, porque um dos pastores parou e me perguntou: o que aconteceu? Acabei rindo e confessei: estou na dúvida, mas com vontade de repetir a sobremesa. Então ele me olhou sério e perguntou se eu não sabia o que Lutero faria a respeito.  Outra risada minha e o desabafo: é claro que não…o que tem a ver Lutero com a sobremesa? Então o pastor falou: ele dizia – se peca, peca forte! Nem preciso dizer que adorei… e fui lá e enchi um segundo e desnecessário prato de sobremesa e comi com todo gosto e vontade deste mundo. E sem aenor culpa.

Me lembrei desta história porque este final de semana foi de travessia. Ma a semana foi de trabalho intenso. Tive que priorizar e a natação ficou só para o sábado e domingo mesmo – não treinei nenhum dia. Drpos de fazer s 3000metros com chu a fona no sabado, o domingo iniciou com um céu azul tão infinito que fez minha alma cantar…e fui muito luterana na prova dos 1500 metros. Não, não pequei forte…mas dei o meu melhor..

Acho que era isso que o pastor queria me dizer…foi esta a leitira que fiz de Lutero: seja intensa, seja inteira, seja o seu melhor! Não faça as coisas pela metade, não desperdice a vida!

Camimhamos 1500 metros na praia, entramos para dentro do mar e do barco vieram as instruções: a única bóia obrigatória é a ultima. Tocou a sirene e eu comecei a engolir o mar com o mesmo gosto daquele segundo prato de sobremesa…Não olhei para as outras nadadoras, esqueci as outras bóias…só mirei no morro e fui: com vontade, intensidade, com volúpia. Como a organização havia alertado, entrou um forte vento sul e vieram as marolas para dificultar e trazer mais emoção para a prova. Mas nem as marolas me abateram. A cada braçada eu pensava: só tenho que dar o meu melhor. E assim, fui me deleitando com as mãos cheias de mar e caindo de boca para me salgar nas marolas…

Ainda não sei o tempo, mas acredito que foi o meu record. Fiquei entre as 10 primeiras da minha categoria – em 8!-  o que acho que nunca aconteceu nos 1500 em 4 anos de travessias…pelo menos não temdo 14 na categoria!

E olha que este ano poderia acrescentar ouros records: recorde de peso, record de cansaço, record de ausencia nos treinos. Tirei a senha 54 no geral e assisti da praia mais de 100 mulheres chegarem depois de mim. Mas, se tudo tivesse sido diferente, o MEU pódio estava garantido: eu tinha dado o meu melhor e a cada braçada – taco a taco – venci a maior das inimigas, aquela que muitas vezes me faz desistir antes mesmo de começar: EU MESMA. Vitória total: pequei forte, nadei com intensidade e pude saborear o gosto de vencer meus próprios preconceitos.

Foi um domingo abençoado.  E que todos os dias sejam assim: o melhor que podem ser – seja como forem!

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