You inspire me

Pelos ossos do ofício ou suores do esporte, acabei tendo o privilégio de conviver com três atletas olímpicos… um de cada continente…culturas e mundos tão diferentes mas valores tão universais…ao menos para mim! O mais engraçado é que podem até me chamar de ignorante, mas em nenhuma destas três oportunidades eu tinha a noção de que estava diante de uma celebridade e fui absurdamente eu…

Lembro muito da história do patinho feio que se sentia diferente, que sofria o que hoje chamamos de bullying, e que, para surpresa e admiração do bando, transformou-se em um lindo cisne. Esta história é um pouco minha. Um pouco sua. Um pouco de cada um que é estimulado desde pequeno a “ser como tem que ser”, “a ser como todos são”, pelo tolo e cômodo motivo de que sempre foi assim.
Tive um grande amigo que dizia que eu era “exótica e conceitual”. Ele inventou este termo pois achava bem mais chic e simpático do que simplesmente me chamar de estranha. E, vou confessar, ele tinha toda a razão: desde pequena sempre me senti diferente. A questão é que assim como o patinho feio que virou cisne, devem existir infinitos cisnes feios que viram lindos patinhos, marrecos que viram gansos, gatos que viram lebres e assim por diante…em uma infinidade de possibilidades e combinações… E por que logo nós, humanos, inventamos de regrar e padronizar o que é único, se existe espaço e beleza para todos na maravilhosa criação de Deus?

Passei uma vida lutando – ou tentando disfarçar –minhas estranhezas, até o momento mágico em que decidi assumir e viver intensamente minhas excentricidades, viver na prática todos os meus conceitos.  E ao invés de me encontrar com o fracasso – como rezavam as profecias deste amigo, encontrei um horizonte que a cada dia me traz mais realizações e possibilidades…

Mas, filosofias à parte, o que tem a ver meus amigos olímpicos e o cisne lindo? Sem desmerecer suas conquistas, a beleza deles não está nos títulos que conquistaram, mas na decisão de assumir seus sonhos. E pagar o preço. E ir contra a maré do mundo que tem regras bem pouco criativas para definir o que é o sucesso e a felicidade.

Eu tomei banho de chuva com a alegria de uma retirante diante de um ídolo da nação… aceitei ajuda do anônimo atleta olímpico que se ofereceu para tirar uma foto minha diante da paisagem, pedi para um atleta que segurou a sonhada taça de campeão do mundo segurar minha bolsa… sem qualquer constrangimento…quantas heresias!

A delícia, é que mesmo quebrando tantas regras – sem contar a gafe de não reconhecer uma celebridade! – acabei criando vínculos, seguindo em contato com cada um deles… não como uma tiete, mas como aluna interessada, pois eles têm muito a ensinar sobre como o esporte transforma a vida – não oferecendo fama ou riqueza, mas sim humildade, determinação  e superação. Eles são gente como a gente…e não haveria porque não ser!

Com o ídolo, aprendi o quanto ele é humano, tem medos, sente câimbras, saudade da família, o quanto coisas simples se complicam pela falta de anonimato… O “fotógrafo” me ensinou como respirar, como vencer quilômetros  – metro a metro-, como cuidar com sementes que podem furar pneus de bicicletas…O campeão do mundo ensinou a simplicidade, a preocupação com o próximo, o compromisso com suas origens, em dar o seu melhor… E  aprendizagem não termina nunca!

A herege aqui  – em sua ingênua ignorância – falou para eles das suas aventuras esportivas, das suas excentricidades gastronômicas, dos seus sonhos de mudar o mundo, e não é que deu ibope? Ás vezes me pego rindo sozinha, feliz, pensando como eu posso ter cativado astros desta magnitude… Como é que pode? E o melhor é que pode! E como a vida não tem que ter lógica, mas sim fazer sentido, estava eu, com minha fiel bicicletinha, admirando o final de tarde no Leme (e olhando com encantamento para o mar de Copacabana que atravessei a nado na inesquecível Travessia dos Fortes) quando um pergunta em inglês se lançou ao vento e veio justamente na minha direção… Era um turista, que me perguntou onde poderia alugar uma bike. Casualmente, eu tinha acabado de voltar da loja e estava com um cartão de lá. Mas, como nada é perfeito, no verso do cartão eu tinha uma anotação importante e falei que não poderia entregar o cartão. E para não ser antipática, ao invés de simplesmente dizer para o gringo anote o telefone, eu fui explicar… expliquei que no verso tinha o telefone de um ciclista e que eu precisava dele pois no dia seguinte iria pedalar até o alto da Vista Chinesa pra ver o sol nascer sob a cidade maravilhosa. No momento desta explicação complexa e desnecessária, me faltou uma palavra – Sunrise – e eu expliquei do meu jeito: “when the sun born”. Está é a Carol…sempre tentando! Assassinei hediondamente a língua inglesa…mas, fez sentido! Ele me entendeu. E o meu futuro querido amigo – vindo de outro continente – não conteve as gargalhadas…e eu ri junto…e começamos uma divertida  conversa que durou algumas horas…tomamos uma àgua de coco, jantamos no dia seguinte, seguimos trocando e-mails…e foi desta amizade, que recebi o maior presente da minha vida. Foi com este presente, que aprendi o que quero da vida. É este presente que deixa qualquer patinho lindo… que presente é este? Uma frase, uma simples frase: YOU INSPIRE ME

O que pode ser mais lindo e importante que isso? Inspirar pessoas! Que presente Divino! E, o melhor de tudo isso: aprendi que para inspirar pessoas, não preciso ser atleta olímpica. Só preciso ser humana. Só preciso ser apenas o que sou. E ser o meu melhor!

ps.: Os personagens são reais, mas nem sob tortura revelo nomes, pois não é isso que importa…Pensando bem…dou apenas uma colher de chá – didática – que comprova que em todos os cantos do mundo há cisnes e patinhos “perdidos” a espera de conexões que os permitam assumir, enxergar e viver toda a sua beleza e plenitude. O esporte é umas destas mágicas conexões. É da Ásia, Oceania, Europa e América que vem  – E VAI! – minha inspiração!

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