Se tem algo que faz o meu coração disparar, é a oportunidade de viajar. De conhecer novos horizontes, provar sabores, de me inspirar com as observações do caminho…
Confesso que chega a dar uma certa ansiedade, de tantos lugares belos que existem neste mundo para eu explorar. É neste momento que lembro dos versos de meu amado poeta Mário Quintana, que falam que em nossa própria cidade, com certeza há ruas por onde nunca iremos passar. Com essa certeza, respiro fundo e recomeço os planos da próxima aventura…
Foi em um destes momentos – de sonhar com o próximo destino – que começou a me inquietar outra dúvida: devemos repetir lugares que amamos, ou seguir sempre em busca do novo?
Com certeza, este é um grande dilema. Já até perdi as contas de quantas vezes fui ao Uruguay ou à Argentina…Acontece que por esta minha mania de mirar os detalhes, acabei criando conexões, fazendo amizades, me apaixonando por sabores, lugares…assim, foi inevitável retornar, seja para alimentar relações ou lembrar o que eu sou. Afinal, com certeza sou a soma da minhas memórias e vivências, e, em caso de dúvida, é só retornar para ter a certeza…
Perdida nestes pensamentos, cheguei a cogitar que talvez o ideal fosse viajar sem envolvimento, como aquele “turista padrão”, que passa, tira fotos e segue intacto.
Inocente, pensei: quem sabe, em minha próxima viagem eu tento este modelo? Foi então que me lembrei da viagem que fiz ao último novo país que conheci, a Colômbia. Foi tudo meio de repente, sem muitos planos, tinha todo o potencial para ser normal…mas não foi! O avião nem tinha pousado e eu já tinha até o whats de uma colombiana que se dispôs a ser o anjo da guarda nas minhas aventuras e explorações. No segundo dia eu iniciei uma amizade que mudou o curso das minhas férias, e que segue como uma benção em minha vida. No terceiro dia, mais uma conexão linda, com uma família, que compartilhou a fila da ópera comigo. E assim segui, em ritmo exponencial…inolvidable! Conheci uma Colômbia que não está nos livros nem nas redes sociais…e que me tenta a retornar…
Há 7 anos atrás fiz um ano sabático e, para me por à prova, escolhi ficar 2 meses sozinha em um lugar em que eu não conhecesse ninguém. Assim, fui para a África do Sul e cheguei lá cheia de medos. Contudo, retornei ao Brasil com amizades lindas que seguem até hoje. Aliás, não faz nem um mês recebi um foto de um dos meus hospedeiros que me emocionou. Era o então menino, o Lian, que eu chamava de meu professor de africaans, agora transformado em adolescente, montado a cavalo, com o sobrinho no colo. Sobrinho este aliás, que fez de minha querida hospedeira, a Marietjie, avó…Quando estive lá com eles, em função de uma chuva inesperada, acabei ficando uma noite a mais do que o planejado e foi um dia muito divertido! Na manhã que segui viagem, caia uma garoa fina, mas mesmo assim decidi ir para o próximo destino. Eu já longe, Marietjie me contou que na noite anterior à minha partida o Lian havia colocado em suas orações o pedido de chuva, para que eu ficasse um pouco mais. Esta revelação me emocionou e tornou Baardskeerdersbos um lugar muito especial para mim.
Eu volto nestas lembranças – e felizmente teria muitas outras mais – para responder a pergunta que por ora me inquieta.
Quer saber? Não existe respostas…o caminho se faz ao andar!

